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#44 Futurista

Ser estudante de Letras é praticamente um pressuposto de que você gosta de ler e escrever. Há quem escreva poesia, e há quem ame prosa, que é o meu caso. E não somente amo prosa, como encontrei meu lugar na literatura que é Ficção Científica. Desde o segundo período de Letras faço parte do grupo de pesquisa chamado FICÇA que estuda os gêneros literários da área de sci-fi e fantasia também, além de estudos de gênero, discurso, memória e etc, mas isso é coisa pra outro texto.

O que quero dizer aqui é que desde sempre tenho publicado historinhas que escrevo e quero compartilhar aqui nesse blog um diálogo que fiz que combina as minhas duas áreas de pesquisa: ficção científica e feminismo. É um textinho em forma de diálogo, espero que gostem! (não dei um título).










– Então, amigo – disse após um breve sorriso –, parece que a sua desgraça cotidiana lhe aconteceu novamente.
– Confesso, não que estava sentindo falta, mas que pressentia que isso aconteceria. 
– Por isso chamo de desgraça cotidiana. É terrível, mas faz parte da rotina.
– Uma rotina cruel, confesso.
– E rotinas não sempre o são? Veja – acomodou-se na cadeira confortável –, não é horrível levantar no mesmo exato minuto todos os dias? E depois tomar o mesmo café, na exata quantidade do dia anterior, levando o mesmo tempo de sempre para mastigar o pão? E, aliás, sempre pão?
– Confesso que sim.
– Acredito que tudo deveria ser diferente, cada dia diferente. Até porque cada dia o é.
– Nisto não concordo. Hoje, por exemplo, é uma triste tarde de janeiro. Mas este mesmo dia se repetirá próximo ano. 
– Este mesmo?
– Sim! Todo calendário tem os mesmos dias todos os anos.
– E os bissextos?
– Isto também é rotina, apenas com maior intervalo. Mas é rotina, confesso.
– Mas meu amigo... Veja. Você está falando da fórmula, eu falo do conteúdo. E apesar de serem os mesmos dias todos os anos quanto aos números, não o são os dias da semana! Se hoje é uma quinta, próximo ano não o será.
– Confesso que tens razão – os dois calaram-se por um instante – Então, como farias para cada dia ser único? A rotina é cruel.
– Agora faço uso de sua palavra e digo que confesso que não sei.
– Minha palavra?
– Veja, você frequentemente repete “confesso”, até quando não caberia.
– Mas...! Confesso que faço – os dois abriram largos sorrisos.
– Manias, não é mesmo? Todos as têm. Este é o mais curioso a respeito da humanidade. Sempre defendemos que somos todos iguais, sem distinção. Porém, ao mesmo tempo, somos diferentes. É controverso dizer que todos somos igualmente únicos.
– Fale por você a defesa dos direitos iguais. Eu sempre mantive a idéia de equidade.
– Veja, meu amigo. Isso não seria o mesmo? – e abaixou o tom de voz a ponto de um sussurro – E como diz isso tão naturalmente? O nosso governo agora pertence a elas.
– Confesso que sou um rebelde, nesse caso.
– Sinto-me vivendo em 1984.
– Não entendi.
– Orwell, meu amigo.
– Ah sim. Mas elas não vão nos torturar, vão? Somos um governo mais civilizado, sem todos aqueles problemas do passado. Nossa sociedade é perfeita, não é mesmo? Confesso que isso me assusta demasiado.
– As mulheres enfim alcançaram o que queriam. O movimento tão odiado outrora, agora lhes deu o poder sobre os homens.
– É o matriarcado. 
– O que me faz lembrar que sua esposa chegará em breve do trabalho, não? Fez o que ela pediu?
– Confesso que isso dá trabalho, mas a casa não poderia estar mais perfeita. Olhe o chão como brilha. O metálico nunca foi mais espelhado.
– E o café que você fez também está magnífico.
– Obrigado. Confesso que sinto falta dela durante o dia, mas os serviços da casa me deixam ocupado.
– E os filhos, vê com frequência, meu amigo?
– Faz um mês que os vi, na confusão da praça, lembra-se?
– Sim, sim. O que pensa a respeito do ocorrido, meu amigo? Ainda não tinha tido a chance de lhe perguntar. Veja, acho um pouco exagerado a propagação da mídia, a respeito daquilo. 
– Confesso que não me sinto a vontade para falar. Lembra-se de ter mencionado Orwell? Às vezes tenho a sensação de estar sendo vigiado.
– Mas nós trabalhamos com confiança, transparência, consciência.
– Não acredito que a verdade seja o que nos é dito, confesso, mas não quero me delongar no assunto.
– Interessante pensamento, meu amigo. Entretanto, penso que seja um tanto arriscado ter essas suposições.
– Agora faço uso de sua palavra: “Veja”, esse medo de ter um pensamento diferente, isso não deveria ser normal. Não superamos nossos antepassados? Eles não tinham medo de pensar diferente.
– Antes havia muitas opiniões, divergentes até, e era isso que prejudicava a convivência.
– Confesso que preferia anteriormente.
– Veja, meu amigo, digo isso pelo seu bem. Olhe ali longe – e os dois direcionaram o olhar daquela varanda no topo de um prédio altíssimo. Apontou o dedo para o horizonte cheio de prédios e máquinas voadoras –, este paraíso tecnológico só foi possível com muito sacrifício. Não há como preferir algo que supostamente é melhor que isso. Nada pode ser.
– Confesso que você está certo mencionar os sacrifícios, pois foram muitos.
– É necessário, meu amigo.

Mais lidos do mês

#66 Derramei esmalte no meu olho

Esse dia inacreditável aconteceu. A postagem anterior me rendeu um episódio memorável que conto com orgulho e embaraço. Felizmente, a reação da nossa geração frente a qualquer acontecimento, seja bom ou ruim, é tirar foto ou fazer vídeo e colocar na internet. E aqui estão as recordações do dia em que eu derramei esmalte no meu olho:
Bem crianças, eu estava pintando minha unha com Maçã do Amor, da Risqué e, enquanto pintava do dedo anelar direito, o pincel, de alguma forma, caiu pra trás da minha mão com a qual o segurava, bateu a ponta na mesa, e espirram gotas das cerdas que vieram diretamente para o meu pescoço e, óbvio, o meu olho. Eu corri desesperadamente em direção à pia da cozinha porque a do banheiro não está prestando, e gritei. Meu irmão dormia profundamente na sala, mas acordou perguntando "o que aconteceu?", eu falei, e ele "ah tá" e voltou a dormir. Que preocupação.
Voltei pro quarto e fui pegar o esmalte, mas o vidro caiu pra dentro da bacia com água…

Comprei um iPhone baratinho

Antes de tudo quero deixar claro que não estou fazendo propaganda da loja e muito menos indicando que façam compras nela.

Eu tenho um Moto G4 Plus que custou 1,3 mil reais. Apesar da loucura, eu tava usando ele pra sair de casa e resolvi que não ia mais fazer isso: decidi comprar um celular de no máximo 500 reais pra sair de casa, e decidi que ia ser um iPhone. E fui à luta.
Como você pode imaginar, não foi nada fácil. Depois de muita pesquisa eu achei uma loja online chamada Mais Barato Store, que vende iPhones seminovos. Achei um iPhone 5 por 460 reais, por até 6 vezes, três meses de garantia.
Parecia bom demais, então pesquisei a reputação da loja no Reclame Aqui, e as pessoas reclamavam muito de atraso. Decidi então comprar, no dia 27 de abril.
Depois de 2 semanas porém o site ainda constava como "produto conferido". Achei o Instagram da loja e tinha gente dizendo "não comprem! Eles são golpistas, não entregam o produto e nem respondem" e também outras pessoas …

Meninas das cores para download!

Nem sempre o print que a gente tira de um desenho do Instagram fica essas coisas. Pensando nisso, resolvi trazer as ilustrações originais, para quem quiser usar como wallpaper ou etc (que não inclua venda) fazer download:








Espero que tenham gostado e não esqueçam de me seguir no Instagram @lorenaksa pra ver os desenhos que posto.


Um jogo de enigma para meros mortais

O YouTuber Cellbit finalmente voltou com os vídeos de enigma, em que ele joga um joguinho chamado Do Not Believe His Lies (Não acredite nas mentiras dele). Aquele é um puta jogo diíficl, e não tinha pessoa melhor do que ele pra jogar. Se você quiser se sentir burro, assista os vídeos dele.
Felizmente tem um joguinho na Google Play parecido com esse, mas somente no sentido de que você tem que descobrir sozinho como avançar os níveis. A diferença é que absurdamente mais fácil, se comparado com o anterior, mas ainda assim não é tão fácil. O jogo se chama Yellow.

O jogo tem 50 níveis e você tem que descobrir sozinho, como eu já disse, como passar cada nível. Os primeiros são fáceis até, mas depois fica um pouco complicado. O objetivo de cada nível é fazer a tela ficar completamente amarela com os elementos que dispõe na tela. Toca um "uuuh" toda vez que você passa de nível
Sim, eu consegui zerar mas com as dicas que tem no canto da tela e também com a ajuda de uma folha de pape…

Consegue encontrar todos os erros neste texto?

Eu quis fazer algo diferente dessa vez e tive essa idéia. Já que sou uma estudante de Letras e todos acharem que estudantes de Letras sabem tudo de gramática, por quê não brincar com isso e colocar alguns erros no texto para vocês acharem? E não esperem nada grotesco como "caza" (que seria erro de ortografia). Tentarei ser sultil.


O engraçado desse "mito" sob os estudantes de Letras é que eu não sou mesmo uma pessoa fã de gramática. Tipo, eu até estudo porquê somos obrigados né, mas quem disse que eu sou capaz de dá uma aula do assunto? Não mesmo! Quando você entra no curso, você meio que precisa escolher a uma área de estudo: lingüística, educação, língua estrangeira ou literatura (prosa ou poesia). E os professores doutores nos assuntos ainda meio que disputam aos novos alunos, querendo trazer eles para suas respectivas áreas.

Desde o início eu já sabia qual era à minha. Literatura foi obviamente um dos principais motivos para mim entrar no curso, seguido de ing…

Como desenhar mãos?

A coisa que as pessoas mais querem saber logo depois da pergunta "existe vida após a morte?" é "como desenhar mãos". A primeira eu não recebo muito, mas no instagram sempre me pedem pra ensinar a desenhar mãos, e assim como a primeira pergunta, essa segunda eu também não sei a resposta... Porém! Nesse exato instante eu criei uma "fórmula", já que eu não tenho técnica alguma para desenhar.

1. Primeira coisa que você precisa fazer é ver como uma mão é! Se você tem pelo menos uma mão, já ajuda bastante. Minha mão não é muito bonita, mas já me serviu muito como referência para qualquer posição de mão que eu quisesse desenhar. Olhe para sua mão analisando-a.

2. Daí eu criei um modelo esquelético para essa mão. Sabe o que é uma palheta? Um negócio que se usa para tocar violão e guitarra? Pois é, desenhe uma palheta e desenhe linhas saindo dela, que vão ser os dedos. Lembre que os dedos tem tamanhos diferentes. O mindinho é menor que o anelar, que é menor que o …

Marcadores da Magic Color (resenha)

Como falei no texto dos meus artigos de papelaria, eu comprei um kit de marcadores relativamente caro - uma vez que só vem 12, enquanto os da Faber Castell de 24 cores custa o mesmo preço. Mas aí já temos a diferença. Os marcadores da Magic Color são de álcool, por isso chamados marcadores. Eles são profissionais, e não para crianças, que é o caso da Faber Castell, que são hidrocores ou então canetinhas mesmo, por serem a base de água.
Mas aos interessados em desenho profissional, vamos falar o que eu achei dos marcadores da Magic Color.
Sobre a duração da tinta eu não sei dizer porque uso há pouco tempo. Mas uma ilustradora que sigo disse que eles não duram muito, já fiquei triste :(
Vou usar minha favorite color para fazer o teste.


A outra coisa que notei do pior jeito é que eles borram o lápis. Mas vendo mais vídeos de marcadores, tipo Bic Marking e até mesmo Copic, concluo que a maioria dos marcadores borra o lápis, até mesmo Copic que são os mais caros e melhores do mundo. Fiz o…

Ilustrando Machado de Assis

Ah, ilustrações! Recentemente, pelo menos duas pessoas me disseram que meus desenhos têm marca, uma identidade, em que você olha um desenho aleatório e já sabe se fui eu que fiz ou não - coisa que um desenho realista não pode fazer.

Desde essa aceitação do meu próprio estilo, fiz algumas encomendas e a última foi algo diferente das últimas vezes. Pediram um desenho de Machado de Assis. É um pouco estranho fazer isso porque não há muitas fotos para se basear, mas ainda assim eu gostei do resultado:


Sim, eu ainda gosto do estilo um tanto mais realista mais que mistura com animação - tipo desenhos americanos que assistíamos, como Liga da Justiça, Super Choque, que foram grandes inspirações. São desenhos de proporções quase reais - sem cabeças enormes ou corpos finos demais - mas que tem um estilo próprio.

Por enquanto, as encomendas são a partir de 25 reais (um rosto), de acordo com a dificuldade do desenho, mas a partir do momento que eu achar que consegui elevar o nível tanto do desenh…

O dublador de Jack Sparrow mudou

Assisti Piratas do Caribe: A vingança de Salazar e me deparei com uma coisa que acho horrível: a mudança de um dublador. Sim, eu assisti e assisto filmes dublados. Na primeira respiração de Jack Sparrow eu percebi esse fato que parte meu coração (ou seriam os ouvidos?). Pesquisei e achei uma coisa bem triste, mas calma! O dublador não morreu. Marco Antonio Costa, dublador antes oficial de Jack Sparrow, fez a seguinte postagem no facebook. Coloquei o texto por completo aqui, mas vou deixar o link no final:
Meus amigos e fãs de dublagem, eu venho comunicar que, infelizmente, não dublei o próximo filme da franquia "Piratas do Caribe".  O motivo? Simples. Eu explico. A Disney muitas vezes paga de 20 a 30 vezes mais para atores "Globais" ou mais conhecidos como "Star Talents" para alguns personagens em seus filmes. Quando foram dublar "Procurando Dory", chegaram a pagar 40 vezes mais do que um dublador recebe para dois "Youtubers", pois segun…

#62 Como ser uma pessoa fria

Primeiro é preciso que um dia você tenha sido uma pessoa quente, se é que você me entende. Uma pessoa fofinha, esperançosa, cheia de sentimentos e sonhos, que se apaixona e ama, e se entrega de corpo e alma para uma coisa que ela nem entende direito. Aí você vai se machucar profundamente com as pessoas em quem você confiou totalmente e vai ter seus doces sentimentos completamente destruídos, e vai acordar para a vida real. E aí você vai ser mais frio. Vai descobrir, da pior forma, que a vida não é um filme da Disney, que as pessoas não são tão amigáveis e muitas não estão nem aí para os seus sentimentos.


Não estou falando isso porque passei por isso recentemente, até porque não passei. Mas vi alguém passar. E falando sobre isso com alguém que ainda nem conheço (ele sabe, salve Jhonata o/), fiquei pensando (e ele me sugeriu também que escrevesse um texto sobre isso) sobre como mudamos com as coisas que passamos, o que eu julgo natural acontecer, afinal significa que alguma coisa apren…
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