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Uma crítica feminista de "Laura" de Heloísa de Sousa

Um blog escrito por uma universitária não poderia deixar de, vez ou outra, ter algum conteúdo acadêmico, né? Hoje quero falar sobre o livro "Laura" (2014) de Heloísa Helena Santos de Sousa, que li para a disciplina de Estudos Literários Maranhenses, o que significa dizer que a autora do livro é do Maranhão (ba dum tiss).



"Laura" por uma crítica feminista

Ter uma mulher como protagonista da narrativa permite discussões feministas acerca da construção da personagem e da sua relação com os acontecimentos da obra e com as outras personagens. Nesta breve análise, porém, o foco cai sobre o par romântico de Laura que, com atitudes de um machismo e agressividade notáveis, chama a atenção para a naturalização de comportamentos violentos por parte do homem, em defesa de uma boa “história de amor”.

Em um breve resumo do enredo, tem-se a jovem Laura, de vinte e cinco anos, professora de educação física, dona de um corpo e beleza altamente exaltados dentro da obra. Em sua lua de mel com Luís em Barreirinhas, com quem se casara após conhecer há somente um ano, conhece João, que insistentemente faz tentativas para sair com Laura, que nega sem dizer o real motivo. Após descobrir que está sendo traída por Luís, resolve se entregar para João, que a princípio se enfurece ao descobrir que ainda estava casada quando tiveram sua primeira relação sexual, mas já que está apaixonado por Laura, continuam o romance assim que ambos voltam para São Luís. 

Depois de já estarem namorando, Laura descobre que está com câncer, a mesma doença que levou sua mãe há dois anos, e por ser uma pessoa fechada, não conta a João o verdadeiro motivo de estar o abandonando, e assim vai sozinha ao tratamento em São Paulo. Como é se esperar, um dos irmãos de João a vê no estacionamento do hospital, e após confirmar sua identidade – pois estava bem mais magra e com os sinais visíveis da quimioterapia – ele avisa o irmão, que parte imediatamente para ficar com sua amada. Por não ser uma narrativa dramática, Laura vence o câncer após meses de tratamento e os dois voltam para São Luís e se casam, no que seria um final feliz de um belo romance.

A beleza desse romance, contudo, é questionável ao se notar comportamentos assustadores de João em determinados momentos da obra. Apesar de ser tido como um homem rico, bonito e muito romântico, João possui características perturbadoras que somente dentro de uma perspectiva feminista podem ser observados, considerando o fato de que o comportamento violento masculino tem sido naturalizado dentro da sociedade.

Em vários momentos em que se irrita com Laura, por ciúmes ou perante seu silêncio, João Felipe altera seu tom de voz e esmurra qualquer coisa perto de si, assustando Laura, que se encolhe em uma atitude de submissão e impotência. Este é um pequeno sinal de sua violência e raiva descontrolada que podem facilmente explodir, como o narrador deixa claro em trechos, usando palavras de violência como “estrangular” e até “matar”.

A atitude de João que realmente assusta é quando, ao descobrir que Laura ainda era casada quando tiveram sua primeira relação, ele violentamente a puxa pelo braço, jogando-a para dentro do carro, e isso a machuca, pois é descrito que ela fica amaciando a parte do braço em que ele pegara com muita força, para tentar passar a dor. João sente tanta raiva que por sua cabeça passam pensamentos absurdos mas descritos com naturalidade, e um destes é “a vontade louca de matá-la”.

Outros comportamentos menos agressivos mas que ainda são inaceitáveis é a insistência no início do romance. Geralmente, isso é visto como uma atitude romântica e admirável, entretanto pode ser criticada dentro dessa perspectiva feminista pois é desrespeitosa aos “nãos” que Laura dá. Pode-se pensar que ela deveria ter dito que é casada logo da primeira vez, mas isso também deve ser criticado pois um não é um não, e ela não precisaria dar motivos ou justificativas para não querer se envolver. Muitas mulheres mentem dizendo que tem algum companheiro para se esquivar da insistência de um homem, porque assim o homem respeita o outro homem, e infelizmente não a mulher.

Tem sido debatido, dentro do meio feminista, a liberdade que a mulher deve ter sobre seu corpo em relação ao seu próprio vestir. Tem-se dentro da sociedade e da narrativa (que é uma reprodução do social) que a mulher é a culpada da reação que homens têm por causa da sua roupa “provocativa”. Isso acontece quando Laura finalmente decide sair para jantar com João e este fica louco para tocá-la. A justificativa dele é de que “Se você se atreve a sair de casa com um vestido desses, não pode culpar minha reação”, afirmando seu pensamento machista.

Em linhas gerais, João tem atitudes às vezes um tanto sutis, mas que revelam um comportamento violento que pode vir a se agravar. Na vida real, esse casal seria aquele que as pessoas prevêem o homem batendo na mulher dentro do casamento, ou ainda matando-a, seja por ciúmes ou mesmo por uma separação que ele não aceitar.

O romance, mesmo se mostrando simples por não ter uma construção profunda dos personagens, e uma descrição totalmente superficial dos ambientes em que se passam as cenas, traz questionamentos acerca do que se considera o homem ideal, uma vez que João que é dado como o homem que toda mulher gostaria. Apesar de toda sua beleza, dinheiro e talvez romance, ele se mostra tão violento quanto um homem “comum”, e neste sentido, a obra pode ser explorada a fim de fazer as mulheres reverem seus relacionamentos e os companheiros que têm, por que pequenos sinais de violência podem resultar em tragédias na vida real.

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Como desenhar mãos?

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O dublador de Jack Sparrow mudou

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#62 Como ser uma pessoa fria

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Não estou falando isso porque passei por isso recentemente, até porque não passei. Mas vi alguém passar. E falando sobre isso com alguém que ainda nem conheço (ele sabe, salve Jhonata o/), fiquei pensando (e ele me sugeriu também que escrevesse um texto sobre isso) sobre como mudamos com as coisas que passamos, o que eu julgo natural acontecer, afinal significa que alguma coisa apren…
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